Muita vending machine que está na rua hoje carrega dentro dela um relatório completo de tudo que vendeu, e o dono nunca abriu. Esse relatório se chama DEX, e entender o que ele é muda a forma de fazer coleta.
Eu explico aqui o que é o DEX, de onde ele vem, o que dá pra tirar de um arquivo e, principalmente, o que ele não faz sozinho.
O que é o DEX
DEX é um formato pra coletar dados de auditoria e eventos de máquinas de venda automática. Ele foi criado no fim dos anos 1980 por engarrafadoras que abasteciam máquinas, com dois objetivos: melhorar a auditoria e simplificar o controle de estoque. Depois, o comitê de tecnologia da NAMA, a associação americana do setor, adotou o formato como padrão.
Hoje a referência é o EVA-DTS, o padrão de transferência de dados mantido pela European Vending Association em conjunto com a NAMA. Ele documenta tanto os protocolos de transferência quanto a composição exata dos dados. A versão 6.1.2, de março de 2016, tem mais de 300 páginas, o que dá uma ideia do nível de detalhe.
Na prática, o que importa pra você: a placa que controla a máquina vai guardando os números, e o DEX é o jeito de tirar esses números de lá.
Como o DEX sai da máquina
A transferência é num sentido só: da placa da máquina pra ferramenta que lê. Ninguém altera a máquina lendo o DEX.
Os dois jeitos mais comuns:
- Na visita, com um coletor. A máquina tem uma porta de leitura, normalmente perto da fechadura, e um coletor portátil é conectado nela durante a visita
- À distância, com telemetria. Um modem instalado na máquina lê o DEX e manda pros servidores do fornecedor por rede celular ou Wi-Fi
Uma limitação importante: máquinas com placas antigas podem não ter porta DEX ou exigir adaptação. Antes de planejar qualquer coisa, confira no manual se a sua máquina tem saída de auditoria.
O que tem dentro de um arquivo DEX
O arquivo é texto puro, organizado em linhas. Cada linha começa com um código de segmento, seguido de campos separados por asterisco. Os segmentos que mais interessam pra quem faz coleta são estes:
- ID1: identificação da máquina, como número de série e modelo
- PA1: cada seleção da máquina, com o código da seleção e o preço configurado
- PA2: logo abaixo de cada PA1, quantas vendas aquela seleção fez e o valor dessas vendas
- PA3: vendas de teste daquela seleção, as que saíram pelo modo de teste, sem dinheiro
- PA5: registro de quando a seleção esgotou
- VA1: totais da máquina, como o valor e a quantidade de vendas pagas
Um exemplo de trecho, tirado de uma biblioteca pública de leitura de DEX:
PA1*010*50*****PA2*6*350*6*350*0*0*0*0*0*0*0*0
Lendo: a seleção 010 tem preço 50, e vendeu 6 unidades que somam 350. Os valores vêm em centavos, então são produtos de R$ 0,50 que renderam R$ 3,50.
A posição exata de alguns campos varia entre fabricantes de placa. Pra montar qualquer conta sobre um campo específico, confirme no manual da sua máquina.
Acumulado ou desde a última leitura
Esse detalhe pega muita gente. A placa costuma guardar os números de dois jeitos: desde a última leitura e acumulado desde a instalação, como um hodômetro. Algumas placas zeram o acumulado em certas situações, como reset ou troca de placa.
Se você usa o acumulado, a venda da visita é a diferença entre a leitura de hoje e a da visita anterior. Isso exige guardar cada leitura, máquina por máquina e seleção por seleção. E se a placa foi zerada, a conta da visita sai negativa ou absurda. Quem lê o DEX precisa estar preparado pra perceber isso.
O que o DEX resolve
- Acaba com a contagem de canaleta por canaleta. Em vez de contar o que sobrou em cada espiral, você lê quanto cada seleção vendeu
- Mostra o preço que está de fato configurado. Preço errado na máquina é diferença de caixa garantida, e o PA1 mostra o preço real de cada seleção
- Separa o que saiu sem dinheiro. Vendas de teste aparecem à parte. Sem isso, um teste de espiral vira diferença de caixa sem explicação
- Ajuda no diagnóstico. Dependendo da placa, o DEX também registra eventos como moeda travada, nota rejeitada e falha no sensor de entrega. Veja as falhas mais comuns da vending e o que checar
O que o DEX não resolve
Aqui está o ponto que eu considero mais importante. O DEX diz quanto a máquina vendeu. Ele não diz se o dinheiro chegou no seu bolso.
A conferência continua sendo sua: comparar o que o DEX diz que vendeu com o que estava no cofre, o que caiu no Pix e o que entrou no cartão. Também não diz quanto você deve ao ponto de comissão, quanto levou de produto do depósito, nem qual é a sua margem por produto. O DEX é a matéria-prima da conta, não a conta.
E sem telemetria, ele só chega quando alguém vai até a máquina. Uma falha na segunda pode passar despercebida até a reposição de quinta.
Onde o VendMaster entra
No VendMaster para vending cada máquina pode ser controlada por contagem do que sobrou ou pelo contador de vendas de cada seleção. No modo contador, você importa o arquivo DEX na tela de coleta e o sistema preenche o contador de cada canaleta sozinho, casando o código da seleção com o seu planograma. A leitura do arquivo é feita no próprio navegador: o arquivo não é enviado nem guardado no servidor.
A partir daí o sistema faz a parte que o DEX não faz: calcula a venda da visita pela diferença das leituras, multiplica pelo preço, compara com espécie, Pix e cartão, calcula a comissão ou o aluguel do ponto e monta a lista de reposição. Seleção que está no DEX e não está no planograma, ou o contrário, aparece avisada antes de salvar.
Perguntas frequentes
Toda vending machine tem DEX?
Não. É comum em máquinas comerciais, mas placas antigas podem não ter, e algumas máquinas mais simples não oferecem saída de auditoria. Confira no manual ou no menu de serviço da sua máquina.
Preciso de telemetria pra usar o DEX?
Não. A telemetria manda o DEX à distância, mas ele também pode ser lido na visita com um coletor conectado à porta da máquina. A diferença é a frequência com que você recebe os dados.
O DEX substitui a conferência do cofre?
Não. Ele mostra quanto a máquina vendeu, mas não se o dinheiro chegou. A conferência continua sendo comparar o que vendeu com o que entrou em espécie, Pix e cartão.
Fontes consultadas
- Wikipedia: DEX (protocol)
- European Vending Association: EVA-DTS 6.1.2 (março de 2016)
- San Antonio Vending: decoding DEX
- dex-parse: biblioteca pública de leitura de arquivos DEX
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