Quase todo operador sabe dizer quanto sua máquina faturou no mês. Poucos sabem dizer quanto ela custou. E como o custo de uma grua é fragmentado em muitos valores pequenos, é fácil olhar uma coleta de R$ 900 e achar que teve um mês ótimo, quando na verdade sobrou menos da metade disso.
Este artigo é a lista completa. Não o cálculo do seu lucro, que depende dos seus números, mas o inventário do que precisa entrar na conta. A maior parte dos operadores que refaz essa conta descobre pelo menos dois custos que estava ignorando.
1. Comissão do ponto
É o maior custo da maioria das operações e o mais fácil de lembrar. Costuma ser percentual sobre a coleta bruta, e por isso escala junto com o faturamento.
O detalhe que engana: comissão percentual sobre coleta bruta é calculada antes do custo do prêmio. Num ponto que fatura bem mas consome muita pelúcia, a comissão pode consumir uma fatia da sua margem líquida muito maior que o percentual combinado sugere.
2. Prêmio reposto
Este é o custo variável de verdade. Ele não depende do mês, depende de quantos prêmios saíram, o que por sua vez depende da regulagem da garra.
Some sempre o custo real de aquisição, não o preço de tabela: inclua o frete do fornecedor rateado por unidade. Pelúcia comprada em caixa fechada com frete pago costuma sair bem diferente do valor unitário anunciado.
3. Energia elétrica
O custo que quase ninguém soma, porque na maioria dos acordos quem paga é o comerciante. Mas vale saber o número, por dois motivos.
Primeiro, porque em algum acerto o comerciante vai levantar isso, geralmente quando quiser renegociar comissão, e chegar com o valor calculado muda a conversa. Segundo, porque se você opera em ponto onde a energia é sua, isso entra direto na margem.
Uma grua consome principalmente com iluminação e sistema em espera. Para ter o número real da sua, o caminho honesto é medir com um wattímetro de tomada por 24 horas em vez de estimar por potência de placa, que superestima bastante.
4. Deslocamento até o ponto
Aqui mora o custo mais subestimado da operação inteira. E ele não é o combustível.
O que precisa entrar:
- Combustível pelos quilômetros até o ponto e de volta
- Desgaste do veículo, que é real mesmo sem virar boleto no mês. Pneu, óleo, freio e revisão têm custo por quilômetro rodado
- Pedágio e estacionamento, quando houver
- Seu tempo, que é o item que quase ninguém precifica
Ponto que rende R$ 200 por mês e fica a 40 minutos de carro pode estar dando prejuízo depois que você atribui valor à hora que gastou pra visitar. Fazer essa conta é desconfortável, e é exatamente por isso que vale fazer.
5. Manutenção e peças
Manutenção é custo que aparece em blocos, não em parcelas mensais. Numa média de 12 meses, entram:
- Peças de desgaste: cabo de aço da garra, motor de deslocamento, moedeiro, fechadura
- Lâmpada e fita de LED, que queimam com regularidade em máquina que fica ligada o dia inteiro
- Acrílico riscado ou trincado
- Retoque de pintura e adesivo, principalmente em máquina exposta ao sol
A forma prática de tratar isso é reservar um percentual da coleta como provisão de manutenção, em vez de sentir o baque no mês em que a peça quebra. Máquina não avisa quando vai precisar de reparo, mas o histórico de reparos do seu parque avisa a média.
6. Depreciação da máquina
Este é conceitual, e é o que separa operador que acha que está lucrando de operador que está lucrando.
A máquina que você comprou vai valer menos a cada ano e, em algum momento, vai precisar ser substituída. Se você nunca separou dinheiro pra isso, no dia da troca você vai financiar ou tirar do capital de giro, e vai parecer que "esse ano foi ruim". Não foi ruim: foi o custo que estava escondido nos anos anteriores chegando de uma vez.
Divida o valor de aquisição pelo número de meses que você espera operar a máquina antes de trocar, e trate o resultado como despesa mensal.
7. Perdas e furto
Custo desconfortável de admitir mas real: prêmio pescado pela portinhola, moeda falsa, arrombamento, máquina danificada. Nenhum operador gosta de orçar isso, mas quem tem ponto de rua sabe que acontece.
A forma útil de olhar não é como acidente, é como taxa. Se num ano você teve duas ocorrências no mesmo ponto, esse ponto tem um custo de risco que os outros não têm, e isso pertence à conta dele.
8. Custos que não são da máquina, mas são da operação
Se você opera com CNPJ, existe uma camada que não pertence a nenhum ponto específico e precisa ser rateada entre todos:
- Impostos e contabilidade
- Sistema de gestão, planilha paga ou app
- Telefone e internet usados no trabalho
- Ferramentas, caixa de peças, uniforme
- Aluguel de depósito, se você tem estoque de pelúcia guardado
Rateie pelo número de máquinas ativas. Uma operação de 3 máquinas carrega esse custo fixo de forma muito mais pesada que uma de 20, e é por isso que operações pequenas frequentemente parecem menos lucrativas por ponto do que realmente são no potencial.
O erro estrutural: olhar a média
Depois de somar tudo, existe uma última armadilha, e ela é a mais cara.
A maioria dos operadores calcula custo médio por máquina e receita média por máquina, e conclui que a operação vai bem. O problema é que a média esconde o ponto que está drenando dinheiro.
Numa rota de 10 máquinas é comum que 2 ou 3 carreguem o resultado, 5 ou 6 fiquem no meio e 1 ou 2 estejam custando mais do que rendem. Na média, tudo parece saudável. No detalhe, você está pagando pra manter um ponto vivo.
A conta que importa não é "quanto custa manter uma máquina", é "quanto custa manter esta máquina, neste ponto". São perguntas diferentes e só a segunda muda alguma decisão.
Próximos passos
Fazer essa conta uma vez, no papel, já vale. Fazer todo mês, por ponto, é o que revela qual local está subindo, qual está caindo e qual nunca deveria ter sido aberto. É esse acompanhamento que o VendMaster automatiza: ele registra coleta, comissão, reposição de prêmio e custos por ponto, e mostra o resultado líquido de cada um separadamente, em vez da média que esconde tudo.
Com o custo na mão, o próximo passo é comparar com a receita. Veja quanto uma máquina de pelúcia rende por mês e quando retirar uma máquina de um ponto quando a conta não fecha.
Perguntas frequentes
Qual o maior custo de uma máquina de pelúcia?
Na maioria das operações, comissão do ponto e reposição de prêmio disputam o primeiro lugar. Mas em rota espalhada, o deslocamento pode superar os dois quando você inclui tempo e desgaste do veículo, não só combustível.
Preciso pagar a energia da máquina?
Depende do que foi combinado. Na maior parte dos acordos do setor, a energia fica com o estabelecimento, junto com o espaço. O importante é que isso esteja claro desde o início pra não virar assunto no meio de uma renegociação de comissão.
Como saber se um ponto específico dá prejuízo?
Compare a coleta líquida dele com o custo atribuído a ele: comissão, prêmio reposto, deslocamento até lá e provisão de manutenção. Se o resultado for negativo ou muito baixo por vários meses seguidos, o ponto não está dando lucro, está consumindo o lucro dos outros.
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